34° Oficina de Música de Curitiba (Interpretação e improvisação para instrumentos melódicos)

Atualizado: 25 de Mai de 2020

    Seguindo os relatos sobre a 34° Oficina de Música de Curitiba, compartilho um pouco da incrível vivência com o trombonista Sergio Coelho e os alunos da oficina de Interpretação e improvisação para instrumentos melódicos. Além da inquestionável habilidade musical, o trombonista Sergio (ou Serginho, como todos chamam) é um grande amigo e ser humano. Durante os dias em que pudemos conviver, dividiu inúmeras experiências que vão muito além da prática musical, mas que estão intimamente vinculadas no momento em que tocamos. Tais quais a capacidade de ser flexível, ouvir os outros músicos e se encaixar no som... para isso é preciso um pacto de amizade e abstenção do ego: tudo pela música! Ao longo dos dias trabalhamos extensivamente a prática de naipe, em duos ou trios. Nestes momentos era preciso pensar cada nuance e encontrar um caminho para soar melhor em conjunto. O objetivo era deixar tudo expressivamente mais claro - mais declarado, nas palavras de Sergio. Assim, staccato, legato, diminuendo, crescendo, glissando; todas as articulações e nuances precisavam estar esclarecidas e acordadas. Todo mundo tem um jeito de tocar Garota de Ipanema, por exemplo. No entanto, na hora de tocar junto é preciso encontrar um outro modo, que combine as particularidades de cada instrumento e de cada instrumentista. Exercício grandioso! Parece que tudo que eu tocava antes da oficina tornou-se novo e extensamente explorável... de quantos jeitos bonitos uma mesma frase pode ser tocada? Como declarar a rítmica impressa em cada frase e transparecer a intenção de cada nota? Trabalho árduo, mas estimulante.

     Neste sentido, o professor trouxe uma lista de sugestões para escuta - as quais disponibilizarei para aqueles que tiverem interesse, basta me procurar no facebook. Dentre elas, vale destacar uma obra prima até então desconhecida por mim e intitulada "O LP". O grupo responsável pela musicalidade esbanjada ao longo das doze faixas do álbum era chamado de Os Cobras:


"Grupo formado no começo dos anos 1960 pelos músicos Tenório Júnior (piano), José Carlos “Zezinho” (contrabaixo), Paulo Moura (sax alto), Meirelles (sax alto e flauta), Raul de Souza (trombone), Hamilton (pistom) e Milton Banana (bateria). Lançou, em 1964, o álbum “O LP”, contendo as faixas “Depois de amor”, “Praia”, “Uganda” e “Menina demais”, todas de Orlandivo e Roberto Jorge, “Adriana” e “Moça da praia”, ambas de Roberto Menescal e Luis Fernando Freire, “Mar amar” (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli), “Quintessência” (Meirelles), “Nanã” (Moacir Santos e Mário Telles), “40 graus” (Orlando Costa ''Maestro Cipó''), “Chão” (Amaury Tristão e Roberto Jorge) e “The Blues Walk” (C. Brown). (...) O disco, produzido por Roberto Jorge, contou com a participação de Roberto Menescal (violão), Ugo Marota (vibrafone), Cipó (sax tenor), Aurino (sax barítono) e Jorginho (flauta)."


fonte: http://www.dicionariompb.com.br/os-cobras/dados-artisticos 


     No disco está tudo realmente "declarado". É possível ouvir nitidamente articulações e intenções; Raul de Souza, em especial, é um mestre neste quesito. Segue link para apreciação! Logo, mais textos sobre a 34° Oficina de Música de Curitiba!


Foto: Gilson Camargo







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