Stan Getz: a importância de tocar o sax tenor.

Artigo veiculado na revista italiana Musica Jazz, em julho de 2019. A autoria é de Richard Palm, com imagens de David Redfern.


Stan Getz, nascido em 1927 na Filadélfia, ocupa um lugar de destaque na história do Jazz. Sempre associado diretamente a Bossa Nova e ao Cool. Neste sentido, a ideia do texto é resgatar um Getz muito além desses rótulos e que teve os caminhos conduzidos também em função de contextos muitos específicos em que viveu.


A carreira de Getz começou muito cedo. Em 1943, com 16 anos, já era muito requisitado - afinal, por sua tenra idade não foi convocado para a grande guerra que acontecia naquela época. Assim, por esses anos já participava de grandes orquestras - como a de Benny Goodman - e tocava ao lado de gigantes como Lester Young. Este aliás tem um importância fundamental nessa trajetória, já que - para muitos - Getz é herdeiro direto da linhagem lírica e fraseado melódico de Young.


Aos 25 anos já administrava o próprio quarteto e, nas gravações contemporânas, já vemos um Getz que conduz fraseados com muita velocidade e um swing fumegante - características nada comuns a bossa e ao cool… Poucos anos depois teve de passar um tempo na Europa, devido a problemas de saúde. Quando retornou, encontrou o jazz em um momento completamente diferente, sem Billie Holliday e Lester Young, e com a ascensão de Coltrane, Dolphy e Ornette Coleman. Por essa época ainda lançou um um de seus principais álbuns: Focus, o qual não recebeu a devida atenção na época. Citaria como exemplo este disco de 1957 - no auge do Cool - onde podemos ouvir ainda um Stan Getz bastante peculiar para quem só o vê como difusor da bossa. Esta é uma gravação incrível, cheia de swing e com uma interação admirável entre os músicos: Stan Getz and Oscar Peterson Trio.




Depois disso, com o lançamento de Jazz n’ Samba e Desafinado, Getz teve anos de prosperidade, sucesso e dinheiro. Fatores que o colocaram mais ainda a margem do movimento jazzístico da época e - como sempre - despertou a crítica e segregação por parte dos puristas. Após os anos de Bossa, Getz ainda gravou discos tradicionais e outros inovadores - caminhando pelas experimentações do fusion. Estilos completamente desvinculados do cool e da bossa. No entanto nada mais afastaria a imagem já perpetuada por aqueles poucos anos de sucesso midiático e financeiro. Assim como o autor, penso que vale a pena escutar e estudar este outro Stan Getz e, com o tempo, quem sabe ele não ocupe um lugar diferente - mais merecido e coerente - nesta ampla história do Jazz.


Disponibilizo em PDF a reportagem na íntegra - em italiano - e também o capítulo que trata de sua biografia e estilo no livro Jazz saxophone: an in depth look at the styles of the tenor masters (o qual também usei como fonte para muitas das informações contidas neste texto). Fique a vontade para baixar e utilizar todo o material gratuito disponibilizado neste mesmo link. Bons estudos a todos!


https://www.solosaxtranscriptions.com/pdf-s-free



Foto: David Redfern

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